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CONVIDADO

António Acciaioli Campos



A outra mão que eu amo



As mãos foram feitas
para trazer o futuro,
encurtar a tristeza, encher
o que fica das mãos
de ontem - intervalos
(duros, fiéis) das palavras,
vocação urgente
da ternura, pensamento
entreaberto até
aos dedos longos
pelas coisas fora
pelos anos dentro


Vítor Matos e Sá
(sugestão de TC)

Inesperadamente temos um AVC e o lado direito fica totalmente imobilizado.

Passado alguns dias a mão esquerda observa a direita imobilizada, e pergunta:

Como é possível que uma mão simultaneamente tão enérgica e ternurenta tenha ficado imobilizada?

Questionou o que se deveria fazer, como poderia contribuir para que a mão direita voltasse a viver… e a sorrir.

Após uma primeira fase onde, angustiada, somente a acarinhava, lembrando-se das muitas tarefas e gestos de afeto que tinham partilhado, decidiu que teria de fazer algo mais. Trabalhar em conjunto, percorrer caminhos em total parceria, praticar jogos com bola como se fossem dois jogadores de ténis.

No início não conseguiam acertar na bola, mas a mão esquerda nunca desistiu.

Foram longos os períodos a praticar jogos…, mas logo depois… o esforço foi recompensado! as jogadas e as tarefas, tão simples como lavar o cabelo ou comer a sopa… passaram a ser feitas com a mão direita, sem ajuda.

Foi um enorme contentamento ver a mão direita desapontar, como se quisesse dizer: aqui estou e quero acompanhar-te.

Que belos percursos as esperam.

Bom dia, futuro.

"uma mão lava a outra
uma mão ama a outra.
e… mais vale amá-la do que deixá-la”.
MN


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