A palavra “Grafite” tem origem no Grego GRAPHEIN, que inicialmente significava “sulcar, arranhar”. Como era desta maneira que se escrevia em quadros de ardósia, o sentido da palavra passou a ser “escrever”.
Em latim, GRAFFIO significava um arranhão, um risco no material.
Embora associemos, portanto, os grafites a arte urbana moderna, a origem da palavra conduz-nos a momentos históricos mais remotos. De facto, antes da palavra já o homem fazia grafites, sendo que o que os distingue, por referência a cada momento histórico, é a mensagem a eles associada.
Com efeito, uma pintura rupestre é um grafite; os homens desenhavam nas cavernas onde viviam, por exemplo, os animais que se propunham caçar.
Na Roma antiga, alguns protestos eram desenhados/escritos nos muros da cidade.
Os frescos são pinturas efectuadas em muros, maioritariamente no interior de Igrejas, com a utilização de técnicas especiais (superfície húmida, entre outras).
Certo é que, a palavra grafite, na era moderna, passou a ser associada a duas realidades distintas, mas cuja origem é idêntica. Se por um lado quando falamos sobre grafites nos vem à imagem palavras escritas, aparentemente sem qualquer contextualização, em paredes de prédios, por outro lado, conduzem-se a pinturas absolutamente extraordinárias efectuadas em empenas de prédios ou locais reservados a esta prática e que actualmente se designam por arte urbana. Em comum, os grafites procuram dar visibilidade a uma mensagem, a um protesto, normalmente em defesa de uma minoria de pessoais ou ideias.
A arte urbana actualmente popularizada teve o seu início em Maio de 1968, em Paris, quando a juventude, como forma de protesto escrevia mensagens nos muros/paredes da cidade.
Um pouco mais tarde, em Nova Iorque e Filadélfia este movimento expandiu-se como forma de protesto e contracultura, associando-se às danças de rua, ao rap, criando, deste modo, o movimento do hip-hop, que ainda subsiste.
Jean Michel-Basquiat, falecido em 1988, tornou-se famoso pelos grafites que pintava em Manhattan, Nova Iorque.
E Banksy, é um famoso grafiteiro inglês que escreveu em Clipstone Street, Fitzrovia, a seguinte frase “ If Graffiti Changed Anything It Would Be Illegal “, a qual demonstra, à saciedade, a natureza contestatária dos grafites e das mensagens a eles associadas. Vale, aliás, a pena conhecer a arte de Bansky, uma vez que pela sua extensão e particularidade, nos guia ao significado real da arte urbana.
E a viagem que aqui hoje vos proponho tem a ver com uma visita recente que fiz a Londres e durante a qual, inusitadamente, mergulhei (literalmente) no coração londrino dos grafites.
No sábado, decidi passear a pé pela cidade, sem destino, sem qualquer bússola. Durante este passeio, vi o que me pareceu ser uma passagem subterrânea para aceder a uma outra rua de Londres e entrei. Estava, sem saber, a entrar em Leake Street Arches, um espaço fechado de cerca de 300 metros destinado a ser exclusivamente ocupado com arte urbana; onde artistas, munidos com os seus sprays, pintam paredes e os tectos do túnel sobre o qual está localizada a estação de Waterloo.
Além da beleza que cada uma das pinturas encerra, podemos ter a sorte, como eu tive, aliás, de acompanhar os grafiteiros a pintar os muros da Leake Street.
Uma verdadeira viagem pelos sentidos: os meus, que me guiaram até lá; os sentidos dos outros, que pintam apenas com sprays, quadros magnânimos e cuja arte é, aos dias de hoje, absolutamente indiscutível.
Mia Jorge