Corria o ano de 2014. A viagem proposta pela Leonor era a de irmos para a Mongólia. Preparei-me, mentalizei-me e aí fui eu. Não, como gostaria de ter ido, mas desfrutei de 18 dias de uma das mais belas viagens que eu vivi.
A Mongólia é um país sem costa marítima localizado na Ásia Oriental e Central. Faz fronteira com a Rússia, a norte e com a China a sul, leste e oeste. Ulã Bator, a capital e maior cidade, é o lar de 45% da população do país. O sistema político vigente na Mongólia é de uma república semipresidencialista.
Em 1924, a República Popular da Mongólia foi declarada e a política mongol começou a seguir os mesmos padrões da política soviética da época. Após o colapso dos regimes socialistas na Europa Oriental no final de 1989, a Mongólia viveu a sua própria Revolução Democrática no início de 1990, que levou a um sistema multipartidário, uma nova constituição em 1992, e a uma transição para uma economia de mercado.
Com 1 564 116 quilômetros quadrados, a Mongólia é o 18º maior país do mundo e o país independente com menor densidade populacional , com uma população de cerca de 2,9 milhões de pessoas. É também o segundo maior país do mundo sem costa marítima, depois do Cazaquistão. O país é escasso em terra arável, sendo a maior parte de sua área coberta por estepes, com montanhas ao norte e ao oeste e com o deserto de Gobi, ao sul. Aproximadamente 30% da população são nómadas ou seminómadas. A religião predominante na Mongólia é o Budismo tibetano e a maioria dos cidadãos do Estado são da etnia mongol, embora Cazaques, Tuvanos e outras minorias também vivam no país, especialmente no oeste.
A proposta era, pois, a de visitarmos este país com características tão particulares. Sempre gostei do inóspito. De grandes paisagens que refletem tranquilidade e silêncio; por isso, a Mongólia, pareceu-me um destino muito sedutor.
Quis o destino, mas principalmente os meus 3 filhos, ainda muito pequenos, que acabasse por dizer à Leonor, que embora gostasse muito de a acompanhar, teria de deixar a concretização deste sonho para mais tarde. Por outras palavras, a viagem que hoje vos trago, é apenas uma viagem sonhada e desejada, mas que não chegou a ser por mim fisicamente concretizada.
Uma conversa recente com a Leonor, que manifestou o desejo de voltar em 2027 a este país, lançou a ideia de vos escrever sobre a Mongólia, sobre uma das viagens mais belas que fiz. Com efeito, após regressar da viagem, a Leonor telefona-me dizendo que tem de encontrar-se comigo. Combinámos um jantar e a Leonor oferece-me um diário da sua/nossa viagem. Começa o mesmo dizendo: “ Minha querida Mané, este é o meu presente para ti. Levo-te comigo no coração até à Mongólia. Gostava que viesses. Acho que seríamos excelentes parceiras de viagem, mas tenho a certeza de que temos muitas mais oportunidades de explorar o mundo.
(…)
Portanto, a nossa viagem começa aqui, às 5 da matina, no aeroporto de Lisboa, com o check-in só parcialmente feito… aparentemente a Mongólia não permite check-in com tanta antecedência e tem regras apertadas de entrada no país.
A sério Mongólia?
Tu que tens o transiberiano a atravessar-te …”
Este diário, que mais não é do que um caderno que a sua autora, Leonor, foi escrevendo no decurso da viagem, tem coladas plantas, fotografias da população com a qual a Leonor se ia encontrando e a descrição completa dos dias, das paisagens e das emoções por si vividas. Escreve como se dialogasse comigo em tempo real, o que efectivamente aconteceu. Quanto comecei a ler este diário, transportei-me para as suas experiências e vivências.
Enquanto escrevo este texto, abro o diário ao acaso. Estamos no dia 31/07/2014. A Leonor escreve o seguinte: “Voltámos agora do mosteiro e aproveito os minutos de espera para te falar deste monumento. É o terceiro maior monumento da Mongólia, tem cerca de 100 monges, sendo que o mais velho tem pouco mais de 20 anos. “
Recentemente, quando falámos, a Leonor prometeu voltar em 2027 e eu prometi acompanhá-la, nesse ano, à Mongólia.
Nunca sabemos o que a vida nos reserva, mas ainda que eu não consiga visitar a Mongólia no ano de 2027, certo é que, em 2014, fui transportada a este país no coração de uma pessoa muito especial, a qual me trouxe um pedaço da terra e das gentes.
De todos os presentes que recebi na vida, este, a par de outro com características semelhantes, foi o mais belo que recebi.
Caminhar pelo mundo no coração de outra pessoa é a maior manifestação de maior que conheci.
Obrigada à Leonor. Obrigada à vida que me tem oferecido outras “Leonor”. Obrigada à Mongólia por me ter acolhido nas folhas de um diário.
Para o ano de 2027 fica prometido, por aqui, um texto sobre a Mongólia que conhecerei.
Mia Jorge