Home Cardus Edição 159, julho 2026

VISITAR MUSEUS FAZ BEM À SAÚDE…

Antonio

Nota: texto elaborado com base na rubrica diária que o autor mantém na Rádio Amália: “Sei de um rio, sei de um Museu.”

Salazar gostava de Museus?

João Abel Manta

Salazar pensava que a instrução em massa poderia gerar "descontentes e rebeldes", e como tal o regime do Estado Novo via o ensino, não como uma ferramenta de emancipação do povo, mas sim como um risco político.

Comunidade Cultura e Arte

No que se refere aos museus, o seu desinteresse tinha suporte ideológico profundo. Salazar, ainda estudante em Coimbra, referia-se aos museus nestes termos: “Um museu é uma coisa morta; lembra uma casa mortuária. Está ali sepultado o tempo, e só por intenso esforço do nosso espírito conseguimos sentir que, por sobre a necrópole da arte, paira a alma sublime do artista. Há muita gente que fala em museus, e berra, e gesticula, e entusiasma-se, e ficaria bem surpresa, se lhe perguntássemos que beneficio ao seu espírito adveio da contemplação das coisas d’arte, que não têm alma ali, onde as puseram”

O seu desamor pelos museus refletiu-se no facto de o Estado Novo não ter criado nenhum museu nacional de raiz, tendo recebido três dos regimes anteriores:

E mais não fez.

Depois do 25 de Abril de 1974, houve também uma autêntica revolução no que se refere aos museus. Nos primeiros anos, após a revolução, foram criados de raiz os seguintes espaços museológicos:

E muitos mais, incluindo o projeto do Museu da República e da Resistência, no Forte/Cadeia de Peniche, que só foi inaugurado mais de quatro décadas depois.

Enterro do Museu Soares dos Reis

Muitas pessoas estiveram envolvidas nesta revolução museal, dos quais realço algumas: David Mourão-Ferreira, Manuela Mota, Natália Correia Guedes, Simonetta Luz Afonso, Raquel Henrique da Silva, Cláudio Torres, Fernando Bragança Gil e António Galopim de Carvalho.

No entanto a explosão museológica registada em Portugal tem, mesmo assim, colocado em evidência a efemeridade e a fragilidade de grande parte destas novas instituições. Alguns inquéritos, têm desvendado uma situação onde impera, muitas vezes, a inexistência de programação, a deficiente formulação da missão do museu, a ausência de sustentabilidade financeira, a carência de recursos humanos com formação adequada ou a sobreposição dos projetos arquitetónicos, do design e da cenografia face aos conteúdos museológicos, aos objetos e às coleções.

O museu é meu (CM Albufeira)

Onde é que os museus poderiam apostar para melhorar esta situação?

E nós, o que podemos fazer?



A minha singela contribuição:

Neste espaço mensal, a revista digital CARDUS, e na rubrica diária na RÁDIO AMÁLIA, ambos sobre museus e património, tento provocar a curiosidade e fomentar o desejo para que as pessoas conheçam melhor o nosso património e visitem os museus. Visitar e participar ativamente, nos programas culturais disponibilizados pelos museus, é uma forma de contribuir para o seu desenvolvimento.

E não se esqueçam que - “visitar museus, faz bem à saúde”.