Desta vez, Miguel não quis surpreender Tulipa pois tinha receio que ela já conhecesse o museu onde tinha pensado levá-la.
Assim sendo, mandou-lhe uma mensagem em que perguntava:
“Já conheces o Museu Geológico?”
pensando que seria uma boa sugestão dar-lhe a conhecer esta raridade de um museu tal como era no século XIX.
A resposta veio pronta:
“Não conheço e tenho muita curiosidade, mas primeiro gostaria de ir ao MUDE”.
O MUDE, Museu de Design e Moda, que fica na baixa de Lisboa num edifício que foi a sede do Banco Nacional Ultramarino, possui uma das mais importantes coleções de design e de moda a nível internacional.
Miguel concordou, pois, seria uma belíssima alternativa onde, para além do acervo exposto, poderiam apreciar na cave os belos e antigos cofres do Banco, um belíssimo espaço onde são apresentadas exposições temporárias.
Mas as agendas deles não permitiram que qualquer das visitas se realizasse.
Miguel aproveitou esse vazio para falar do que se passou no Museu do Aljube, Resistência e Liberdade, que fica em Lisboa.
Há seis anos a Câmara Municipal de Lisboa abriu um concurso para selecionar um novo diretor para o Museu. Concorrerem dezenas de candidatos e o júri, por unanimidade, escolheu Rita Rato pela sua inovadora e arrojada proposta de gestão para esta instituição.
O seu nome não foi bem acolhido pelo lobby museológico, pois a Rita não era doutorada em museologia.
Existem muitos maus exemplos de doutorados em museologia ou história de arte que tendo sido escolhidos para diretores de museus e por não terem conhecimentos de gestão e também por serem pouco inovadores e criativos fizeram, e fazem, um péssimo trabalho.
Restava, talvez, um sentimento sectário anti esquerda pois a Rita tinha sido deputada na Assembleia da República.
Embora com esta contestação, a Rita tomou posse e exerceu as suas funções durante seis anos dinamizando o Museu do Aljube, Resistência e Liberdade, que tinha sido uma antiga prisão da PIDE. Realizou 21 exposições, editou 8 livros, recolheu 45 testemunhos de resistentes antifascistas, criou um arquivo digital, permitiu a disponibilização de 14.000 documentos, trabalhou junto de 940 escolas envolvendo 45.000 estudantes e entre muitas outras atividades recebeu cerca de 240.000 visitantes.
Um verdadeiro sucesso como gestora de um espaço museológico.
Mesmo com este enorme e belíssimo trabalho, a Câmara Municipal de Lisboa não renovou o contrato com a Rita Rato, tendo escolhido uma sucessora, mas neste caso... sem concurso.
É de lamentar e criticar este tipo de atitude dos nossos dirigentes autárquicos, e só nos resta dizer:
Parabéns pelo trabalho efetuado e obrigado Rita Rato