Fundação Albuquerque
Uma viagem pela porcelana chinesa das dinastias Ming e Quing
Miguel foi buscar Violeta à sua casa e rapidamente seguiu para a autoestrada em direção a Cascais.
- Para onde me levas? - perguntou Violeta, estranhando o percurso escolhido pelo seu amigo.
- Fica descansada, vai valer a pena - respondeu Miguel.
- Olha que ainda é muito cedo para ver o pôr-do-sol ao Guincho.
- Não era essa a minha ideia, mas sempre podemos tentar fazer isso depois. Agora vamos visitar um museu que fica no Linhó, perto do Autódromo do Estoril. Sabes qual é?
- Um museu perto do Autódromo do Estoril? Nunca ouvi falar. Qual é?
- Posso dizer-te que é um museu que tem a particularidade de ficar numa quinta do século XVIII que foi transformada num espaço museológico bastante moderno.
- Numa quinta? Isso é inesperado... Como é que surgiu essa ideia?
- Vamos visitá-lo primeiro e depois explico-te. Pode ser?
A visita foi relativamente rápida, sobretudo porque o espaço não é muito grande. Ao mesmo tempo, Violeta, ao perceber a qualidade das peças expostas, disse logo que queria regressar em breve, com mais tempo para admirar a coleção.
Já na cafeteria, Miguel perguntou:
- Que tal? Gostaste?
- Gostei mesmo deste museu, é pequeno, mas tem cerâmicas lindíssimas.
- Concordo. Apesar do tamanho do espaço, este museu tem a coleção Albuquerque de cerâmica chinesa. É uma das mais prestigiadas coleções de porcelana chinesa de exportação das dinastias Ming e Quing e inclui até peças imperiais.
- E fazes ideia de como surgiu a ideia de criar este museu?
- Desde sempre a cerâmica fez parte da vida do brasileiro Renato Albuquerque. Na sua casa tinha centenas de peças de cerâmica chinesa com mais de 300 anos.
- E cabiam lá dentro? – perguntou, curiosa.
- Dificilmente! Estavam espalhadas por toda a casa, e acabou por converter uma divisão num mini-museu… coisa que a avó não achou grande piada, por sentir que o espaço estava a ser tomado.
- Pois, imagino! E fazes ideia de como veio parar a Portugal?
- Renato Albuquerque tem, neste momento, quase cem anos. Atualmente, é a sua neta que toma conta disto tudo. Mas ele veio para Portugal por diversos motivos, sobretudo pela relação que tem com este país. Desde há muitos anos que tem negócios em Portugal. Mais tarde adquiriu esta quinta, que se tornou em mais um projeto de família
- Curioso… – murmurou ela, pensativa. – É fascinante ver como cada peça tem a sua história e como este espaço se transformou numa verdadeira herança familiar. Que mais sabes sobre ele?
- Olha, não há muito mais a saber. Era a antiga casa da família e neste momento abriga, além do museu, uma residência artística, uma biblioteca, uma loja, um restaurante e um belo Jardim.
- Gostei muito. Há algo na aparente simplicidade das linhas criadas neste espaço que o torna especial. Cada detalhe está tão bem cuidado, e a coleção de cerâmica chinesa é mesmo impressionante. Obrigado por me mostrares isto. Na próxima vinda quero trazer os meus netos e aproveitar para almoçar naquele restaurante.
- E agora, qual é o próximo museu?
- É surpresa!
(continua)
Nota: Este episódio foi imaginado e escrito a quatro mãos.