Sozinha com a sua neta numa cidade que não é a sua, lá foram passar o dia num parque que a madame Angélique recomendou. O passeio prometia uma tarde de brincadeira, adoçado com um Picnic e com a companhia das amigas gémeas da escolinha. O calor dos últimos dias, acima dos 35 graus, deixou as casas muito quentes e desconfortáveis, convidando toda a gente a refrescar-se nas zonas onde árvores e vegetação se abraçam com verdadeira cumplicidade. E Bruxelas está cheia de áreas verdes, grandes espaços com muitas árvores, algumas enormes que quase tocam o céu, como dizem os meninos enquanto brincam nos escorregas e baloiços que se encontram por todo o lado.
Entusiasmadas com a novidade do passeio, que correspondeu e superou todas as expectativas, marcaram presença no local e hora como combinado.
O encontro, no pátio central do edifício da Comissão Europeia, em Shuman, começou logo por ser uma festa, tal foi a algazarra e a alegria das crianças, assim que se viram.
Mas esperava-os uma grande aventura, que só não terminou em drama porque as meninas, na sua inocência, não se aperceberam do perigo envolvido e continuaram no seu êxtase de contentamento por estarem juntas, o que amenizou o síndrome de claustrofobia a que todos foram sujeitos mal entraram no elevador que, na descida para o Metro, de repente e com um estrondo, ficou parado a meio do percurso. Dois adultos, dois carrinhos de bebé, 3 crianças de três e quatro anos, um calor a fazer escorrer o suor pelos braços, e que as petizes diziam ser chuva, um espaço exíguo e totalmente fechado. Depois de se carregar em todos os botões, primeiro um a um, logo a seguir em todos ao mesmo tempo, o nervosismo fez-se logo sentir nos semblantes carregados da avó e do pai que, olhando um para o outro e sem falarem, combinaram o esforço de não entrarem em pânico. Em cinco segundos rastrearam o interior do elevador para confirmar entradas de ar e apaziguar o coração que teimava em saltar do peito num desejo incontrolado de sair dali para fora. As portas trancadas aprimoravam o sabor amargo da privação de liberdade e as paredes exteriores vistas através dos vidros enganavam o cérebro fazendo-o crer que se encontravam num túnel em pé, escuro e sem fundo à vista. Com um nó na garganta e o corpo atrofiado, o pânico ondulava em redor e só não se conseguiu alojar porque foi gradualmente enxutado pelas gargalhadas, perguntas e comentários das gaiatas que se divertiam com o acontecimento. Enquanto uma dizia que o elevador era cocó, outra afirmava que era totó e maluco, continuando o jogo de palavras sucessivas, que intercalavam com risotas estridentes, como se fossem bolas atiradas num escorrega encantado.
Valeu-lhes o facto de estarem no centro de uma cidade europeia. A intervenção do segurança e do piquete de serviço, que por sorte estava a trabalhar nas imediações, manteve-os com a calma desejada até à resolução do sucedido que ainda assim demorou cerca de meia hora.
Os adultos saíram do cubículo transpirados, quase desfalecidos, a cambalear de stress, as crianças numa grande euforia, atropelando-se umas nas outras a comentar a aventura.