Sinto que sentes indecifráveis agastamentos quando nos cruzamos,
sentes que sinto debilidades inquietantes a toldar-me o caminho.
Entre o absurdo e o explicável tudo se mistura
como a chuva e o calor,
a praia e a areia,
ou o deserto, o vento e as palavras.
São cores sem cor, tonalidades desinteressadas de ser
rosto sisudo de olhar parado
tez tisnada do tempo
do tempo sem tempo
do tempo que fora
do tempo de outrora
ao ombro a mala abarrotada de passado
o vestido, esse, rodado
bamboleia sem pressa, levemente insuflado,
para cima, para baixo e para os lados...
nos pés o futuro, sem paragens que o presente é ginglarão
num vai e vem
sem horas
para lá e para cá
e para lado nenhum
alma refugiada num qualquer lugar
a entrelaçar a tristeza e os muitos pesares
numa fórmula matemática de resultado Zero
é o nada de tudo
é o tudo de nada