Home Cardus Edição 161, setembro 2026

HISTÓRIA (Guerra Colonial)


Carapito

Sinopse

No artigo anterior traçamos um breve resumo da história da Canção de Intervenção, sua origem e causas que estiveram no cerne do seu aparecimento. Abordamos também de forma muito sintética a obra das duas principais figuras desta causa, Zeca Afonso e Adriano Correia de Oliveira.

Neste segundo artigo sobre o tema, vamos citar outras figuras muito importantes neste movimento de resistência, felizmente quase todas ainda entre nós.

Gostaríamos de fazer também uma menção mesmo que breve, às ditaduras que no mesmo período em todo o mundo deram lugar a movimentos sociais similares, mas foram tantas que se torna impraticável. Vamos apenas aqui referir o caso do Chile e do golpe de Pinochet em 1973, apadrinhado pelos EUA de Nixon e Kissinger, que derrubou o governo constitucional eleito de Salvador Allende e que instalou uma das mais sanguinárias ditaduras das décadas de 70 e 80, de imediato manchada com o sangue do cantor Victor Jara, expoente máximo da Nueva Canción Chilena, torturado e fuzilado no Estádio de Santiago (que hoje tem o seu nome), poucos dias após o golpe e cujo martírio continua a simbolizar a dureza da luta intelectual contra qualquer ditadura e o seu custo, por vezes pago com a própria vida.

António Carapito escreve de acordo com a antiga ortografia




A CANÇÃO DE INTERVENÇÃO E AS GUERRAS COLONIAIS II

Eles não sabem nem sonham
Que o sonho comanda a vida
E sempre que um homem sonha
O mundo pula e avança
Como bola colorida
Entre as mãos duma criança

(António Gedeão)

Cantores, cantautores, canções e um poeta (II)

Luís Cília: Cantautor, nascido em Fevereiro de 1943 na então cidade de Nova Lisboa, Angola, hoje Cidade do Huambo, mudou-se para Lisboa em 1959 para prosseguir os estudos secundários, que terminou no Colégio Valsacina. Matriculou-se na Faculdade de Economia da UL e sem grande afinidade com a matéria, dividiu o seu tempo entre o desporto, a vivência política universitária no movimento estudantil e a Casa dos Estudantes do Império. O ano de 1962 marca o início do seu percurso musical, quando se encontra em Lisboa com o poeta Daniel Filipe que o incentiva a cruzar a música com a poesia. Neste ano compõe as suas primeiras canções de protesto “Meu País” e “O Menino Negro Não Entrou na Roda”, não editadas na altura. Começa então a ser alvo da perseguição da PIDE, levando a que se exile em Paris em Abril de 1964, também para fugir à mobilização para a guerra colonial, na época aos 21 anos.

Em finais de 1964, grava e edita em Paris o seu primeiro álbum “Portugal-Angola: Chants de Lutte”. É com este disco, abertamente panfletário, que se assume formalmente como o primeiro cantor a denunciar a guerra colonial e o regime, a partir do exílio. Gravado na editora Le Chant du Monde, com o patrocínio da cantora de protesto francesa Colette Magny, foi intensamente cantado em sessões sindicais, comícios e sobretudo nas bidonvilles, onde milhares de imigrantes portugueses viviam em condições miseráveis.

Luís Cília não terminou o Curso de Economia, mas em Paris estudou, na área da música, Composição, Harmonia e Guitarra Clássica, vindo a licenciar-se mais tarde em Moscovo no Instituto Superior Musical do Estado, em 1973.

Integrada no já citado álbum Chants de Lutte, grava “Sou Barco” com letra do poema de António Borges Coelho, cancão também cantada por Adriano em 1967.

Faz também parte desse álbum a canção “Exílio”, com poema de Manuel Alegre:

Venho dizer-vos que não tenho medo/a verdade é mais forte que as algemas/venho dizer-vos que não há degredo/quando se traz a alma cheia de poemas

Em 1967, escrita e composta em Paris, edita “Avante Camarada, Avante “ que haveria de se tornar conhecida por ser o quase hino do PCP.

Ainda nesse ano, integrada no álbum “Portugal, Resistir é Vencer” publica “Canto do Desertor”, um libelo contra a guerra colonial: Oh mar…oh mar…/que beijas a terra/vai dizer à minha mãe/que não vou prá guerra

Diz, oh mar, à minha mãe/que matar não me apraz/no fundo quem vai à guerra/ é aquele que a não faz

O cancioneiro de Luís Cília é muito vasto e não é possível aludir a todo ele. Hoje com 83 anos, é uma espécie de monumento vivo a um tempo de luta feita por homens cuja espada era o canto inconformado com as injustiças e a tirania.

 

José Mário Branco: Nasceu no Porto em Maio de 1942, frequentou em 1961 o curso de História na Universidade de Coimbra, sem o concluir. Foi um dos mais importantes cantautores de intervenção e, tendo trabalhado com todos os grandes nomes da música portuguesa, numa carreira de 5 décadas, revolucionou a produção deste género musical, com arranjos modernos e letras directas.

Quando jovem, em 1958 com apenas 16 anos, apoiou a candidatura de Humberto Delgado à Presidência da República, altura em que a sua consciência política começou a despertar. Militante do PCP, foi preso pela PIDE durante as férias da Páscoa do 1º ano lectivo da UC, foi libertado em Setembro e inscreveu-se no mesmo curso mas na Universidade do Porto. Pouco depois é chamado para o serviço militar. Como discordava do PCP que defendia que os seus militantes deviam cumprir o serviço militar, exilou-se em Paris em Junho de 1963, com 21 anos. Voltaria a Portugal com o 25 de Abril.

Quando acontece o Maio de 1968 JMB já tocava e cantava em festas, escolas e faculdades juntamente com os companheiros de exílio, Sérgio Godinho, Luís Cília e Tino Flores. Em 1969 edita o seu primeiro EP, “Seis Cantigas de Amigo” e em 1970 o EP “Ronda do Soldadinho”

(Os senhores da guerra não matam/mandam matar/ Os senhores da guerra não morrem, mandam morrer/ A guerra é para quem nunca aprendeu a semear/É para quem só quer mandar matar para roubar).

Em 1971 produz o álbum de Zeca Afonso “Cantigas de Maio”, um dos álbuns mais importantes de toda a música portuguesa. Para Zeca Afonso assinaria ainda em 1973 os arranjos e a direção musical do LP “Venham Mais Cinco”

Dele vamos apenas referir as suas duas obras mais conhecidas do grande público.  De 1971, inserto no álbum homónimo “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”, com poema de Camões:

 Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades/muda-se o ser, muda-se a confiança/todo o mundo é composto de mudança/tomando sempre novas qualidades

Continuamente vemos novidades/diferentes em tudo da esperança/do mau ficam as mágoas na lembrança/e do bem, se algum houve, as saudades

Verdadeiro manifesto estético e político, inserido no álbum do mesmo nome, com letra e música suas, composta em 1973 em Paris para os Jogos Florais da Imigração Portuguesa e gravada em estúdio em 1975, o tema “A Canção é Uma Arma” é provavelmente, em conjunto com “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” a canção que imediatamente se associa a este autor.

A cantiga é uma arma/eu bem sabia/tudo depende da bala/e da pontaria

Tudo depende da raiva/e da alegria/a cantiga é uma arma/de pontaria

….///….

Há quem cante por interesse/há quem cante por cantar/há quem faça profissão/de combater a cantar/há quem cante de pantufas/para não perder o lugar

A riquíssima carreira de JMB na musica, no teatro e no cinema é por demais extensa e é redundante estar a referi-la. Após o 25 de Abril e até à sua morte em 2019, aos 77 anos, continuou a deixar a sua marca no panorama cultural português. Morreu em 19 de Novembro de paragem cardio-respiratória.

Hoje o seu legado continua vivo, constituindo um património único.

 

Francisco Fanhais: Padre católico, desafiou a hierarquia da Igreja, alinhada com o salazarismo, cantando cancões pacifistas e contra a ditadura.

Nascido em Vila Nova da Barquinha em 1941, ingressou no seminário com apenas 10 anos e foi ordenado padre em 1965. Entre 1968 e 1970 exerceu funções na paróquia do Barreiro e foi professor liceal. Em Dezembro de 1968 encontrou-se com Zeca Afonso, de quem se tornou amigo próximo, tendo inclusivamente participado na gravação original de “Grândola, Vila Morena” em França. Em 1970 a Igreja suspendeu-o do sacerdócio e o regime proibiu-o de lecionar em escolas oficiais e de cantar em público.

Em 1971 exilou-se em França, para fugir à perseguição da PIDE e para subsistir, algo que o regime tinha tornado impossível no seu próprio país.

Quando se fala deste resistente, felizmente ainda entre nós, imediatamente nos vem à memória a “Cantata da Paz”, com letra de Sophia de Melo Breyner, cantada num tom dramático:

Vemos, ouvimos e lemos/não podemos ignorar/vemos, ouvimos e lemos/não podemos ignorar

Vemos, ouvimos e lemos/relatórios da fome/o caminho da injustiça/a linguagem do terror

….///….

D´´Africa e Vietname/sobe a lamentação/o concerto dos gritos/dos povos destruídos/dos povos destroçados

Em 1969, Francisco Fanhais editou o álbum “Cantilenas” e no ano seguinte “Canções da Cidade Nova”. Regressou a Portugal com o 25 de Abril e foi condecorado em 1995 com a Ordem da Liberdade pelo Estado Português

 

Manuel Alegre: Manuel Alegre nascido em Águeda em 12 de Maio de 1936, é uma das figuras mais incontornáveis da política e da cultura contemporânea portuguesa. Embora a sua carreira não tenha sido construída nos palcos como intérprete, o seu impacto na Canção de Intervenção é absoluto e os seus poemas foram a espinha dorsal de inúmeras canções contra a ditadura, a guerra e o regime do Estado Novo. Logo, faz todo o sentido a sua menção destacada nesta galeria. Sem ele, a história da Canção de Intervenção não seria a mesma, tal como não seria sem Zeca Afonso e Adriano.

Inscreveu-se na UC no curso de Direito em 1956 e em 1957 torna-se militante do Partido Comunista Português, militância que abandona 11 anos depois.

Em 1961 é chamado para cumprir o serviço militar como oficial e mobilizado para Angola onde será preso pela PIDE em 1963. Obrigado a regressar a Portugal é-lhe fixada residência em Coimbra. Exila-se para Paris em 1964 e acaba por fixar residência em Argel, onde a sua actividade política contra o regime é intensa. Em 1965 publica o livro de poemas “Praça da Canção” e em 1967 “O Canto e as Armas”, ambos apreendidos pela Censura, mas não obstante com uma circulação clandestina intensa.

Os seus poemas seriam cantados entre outros por Zeca Afonso, Adriano, Manuel Freire e Luís Cília. Regressado a Portugal após o 25 de Abril, o seu percurso político é bem conhecido: deputado à Assembleia Constituinte, membro do I Governo Constitucional, deputado à Assembleia da República, Vice-Presidente da Assembleia da República, membro do Conselho de Estado, candidato à Presidência da República, Presidente Honorário do Partido Socialista, etc etc…

Condecorado com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade e com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant´Iago da Espada, além de inúmeras condecorações estrangeiras, Manuel Alegre, tem um percurso e um lugar únicos na nossa memória colectiva. Apresentou em 15 de Abril de 2024 na Fundação Calouste Gulbenkian um livro de memórias “Memórias Minhas”, edição Dom Quixote, durante a qual foi condecorado de surpresa pelo Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa com a Grã-Cruz da Ordem de Camões.

Hoje é um dos poucos portugueses com o merecido estatuto de Senador da República e um repositório vivo de alguns dos acontecimentos mais marcantes da História Contemporânea Portuguesa dos quais foi em simultâneo, testemunha e protagonista.  

 

Manuel Freire: Nasceu em 25 de Abril de 1942 em Vagos no distrito de Aveiro. Frequentou o curso de Engenharia Química na Universidade de Coimbra, tendo sido enquanto estudante que se iniciou na militância política e no canto. Interrompido o curso pelo serviço militar, exerceu a profissão de técnico informático, nunca se tendo dedicado por inteiro à música.

Lançou o seu primeiro disco (EP) em 1968, intitulado “Canta Manuel Freire”, com quatro canções que desafiaram a Censura da época: “Livre” com poema de Carlos Oliveira, “Dedicatória”, com poema de Francisco Miguel Bernardes, “Eles”, com letra e música suas, e a já conhecida “Pedro Soldado”. O primeiro tema, “Livre” é uma das canções icónicas de Manuel Freire e, ainda hoje, a sua letra intemporal é um hino à liberdade:

Não há machado que corte/a raiz ao pensamento/não há morte para o vento/não há morte

Se ao morrer o coração/morresse a luz que lhe é querida/sem razão seria a vida/sem razão

Nada apaga a luz que vive/num amor, num pensamento/porque é livre como o vento/porque é livre

No entanto, o seu tema fetiche continua a ser “Pedra Filosofal”, de 1970, com poema de António Gedeão:

Eles não sabem nem sonham/que o sonho comanda a vida/ e sempre que um homem sonha/o mundo pula e avança/como bola colorida/entre as mãos de uma criança.

Eles não sabem que o sonho /É uma constante da vida/tão concreta e definida/Como outra coisa qualquer

Como esta pedra cinzenta/Em que me sento e descanso/Como este ribeiro manso/Em serenos sobressaltos

…

A popularidade de Manuel Freire explodiu após a sua apresentação no programa Zip-Zip, em 1969, onde cantou Pedra Filosofal, que curiosamente a Censura deixou passar. Só mais tarde, com o estrondoso sucesso da canção e da conotação anti-regime que assumiu, é que esta reagiu proibindo-a, chegando a PIDE a subir ao palco para o impedir de a cantar. Como consequência directa, mais tarde Manuel Freire veria proibido o seu EP “Trovas”, que incluía a faixa “O sangue não dá flor”

(Poisa a espingarda, irmão/que o sangue não dá flor),

fortemente crítico da guerra colonial.

Embora nunca se tenha dedicado em exclusivo à música, parte significativa da sua obra musical foi publicada após o 25 de Abril. Em 9 de Junho de 1995 foi condecorado com o Grau de Oficial da Ordem da Liberdade pelo então Presidente da República Mário Soares.

 

José Jorge Letria: Nascido em Cascais em Junho de 1951, frequentou e cursou Direito, História e História da Arte nas Faculdades de Direito e de Letras da UL. Especializou-se em Jornalismo Internacional na UAL, obteve o Mestrado de Estudos da Paz e da Guerra nas Novas Relações Internacionais, também pela UAL, doutorou-se em Ciências da Comunicação pelo ISCTE. Dedicou-se ao jornalismo de 1970 a 2003, publicou mais de uma centena de títulos na área da poesia, ficção e teatro, foi vereador da Cultura na Câmara Municipal de Cascais ente 1994 e 2002 e Presidente da Direção da SPA.

Com 18 anos, a sua passagem pelo programa Zip-Zip em 1969, deu-lhe uma notoriedade que lhe permitiu impulsionar a carreira na década seguinte.

Os seus principais títulos, todos editados na década de 70, são “Arte Poética”, (manifesto sobre o papel da palavra e da poesia na luta social)  “Até ao Pescoço” (retrata o sufoco e a opressão vividos no quotidiano sob o regime da primavera frustrada de Marcelo), “Tango dos Pequenos Burgueses” (crítica ao comodismo e passividade, por medo ou conveniência, da classe média) e “Maria-Canção” (balada emotiva focada no papel da mulher no Portugal rural e operário de então) , todos de 1972 e de 1973 “Quem te Avisa Teu Amigo é” (um aviso ao regime sobre o descontentamento popular, prestes a explodir) e “Romance Feudal” (uma alegoria à exploração latifundiária, focando o contraste entre a opulência de vida dos senhores da terra e a miséria camponesa).

A sua discografia é muito extensa e não é possível pormenorizar.

Actualmente, Letria é Presidente da Direcção da Sociedade Portuguesa de Autores, continua a escrever, publicando regularmente novos títulos e mantém uma presença regular nos media. Foi condecorado em 1997 pelo Estado Português em reconhecimento da sua luta pela liberdade, com o Grau de Oficial da Ordem da Liberdade.

 

Fausto Bordalo Dias: Fausto será sempre recordado pela sua obra prima “Por Este Rio Acima”. No entanto é um nome incontornável da música de resistência.

Nasceu em Novembro de 1948 no navio Pátria em pleno Atlântico, tendo sido registado mais tarde numa freguesia do concelho de Trancoso. Passou a sua infância e adolescência na então Nova Lisboa em Angola, onde se iniciou nas lides musicais integrando a banda “Os Rebeldes”. Essa vivência teria mais tarde repercussões profundas na sua música, fundindo ritmos e cadências africanas com a música tradicional portuguesa, o que é perfeitamente evidente no histórico LP, acima citado.

Em 1968, com 20 anos muda-se para Lisboa para estudar no Instituto Superior de Ciências Sociais e imediatamente se aproxima dos nomes maiores da resistência musical, Zeca, Adriano, Manuel Freire e Vitorino.

Em 1969 ganha o Prémio Revelação da Rádio Renascença e no ano seguinte edita o seu primeiro álbum “Fausto”, que contém as canções “África” e “Quando um Homem Quer Partir”, talvez as canções mais políticas das doze do álbum.

Pouco antes do 25 de Abril, no início de 1974, edita em Madrid “Pró Que Der e Vier”, álbum com uma outra maturidade, marcadamente político, com faixas como Comboio Malandro, letra de António Jacinto que alude ao regime de contrato nas roças angolanas, Carta de Paris, com poema de Daniel Filipe (e participação entre outros de Zeca Afonso, Júlio Pereira, Vitorino, e produção de Adriano e José Niza), O Patrão e Nós, Venha Cá Sr. Burguês, Marcolino, É Tão Difícil, com referências à guerra

(É tão difícil ficar-se num barril/ De pólvora quase a estoirar)

e outras.

A obra musical de Fausto Bordalo Dias é na sua maioria posterior ao 25 de Abril, caso dos álbuns da trilogia da diáspora lusitana, “Por Este Rio Acima”, “Crónicas da Terra Ardente” e “Em busca das Montanhas Azuis”. No entanto a sua profunda interação a todos os níveis com os grandes nomes da Canção de Intervenção e a obra produzida, própria e conjunta, justificam plenamente a inclusão de Fausto na galeria de homens notáveis que fizeram da luta contra a ditadura e contra a guerra colonial o seu mote de vida. Nomes como o de Vitorino e muitos outros, mesmo os mais ignotos, merecem ter também o seu lugar de honra. Ao cantar despertaram consciências, mobilizaram vontades e todos, em maior ou menor grau, ajudaram e contribuíram para o despontar da madrugada libertadora que tardou.  

António Carapito