Fanny Freitas é brasileira do Rio de Janeiro, mas escolheu Portugal para viver. Adora viajar e de longas caminhadas, algumas delas a fotografar aquilo que o seu olhar desperta.
Há lugares que visitamos que permanecem em nós.
Marrocos, para mim, é um desses lugares.
Desde a primeira vez que atravessei suas ruas estreitas e ouvi o som da vida ecoando pelas medinas, senti que estava entrando em um tempo diferente — um tempo que não corre, apenas acontece. Em cada esquina havia um detalhe capaz de prender o olhar: um tapete pendurado, uma porta antiga, o brilho dos metais trabalhados à mão, o perfume das especiarias misturado ao vento quente da tarde.
As medinas parecem guardar segredos antigos. Caminhar por elas é como voltar ao passado, escrito em pedras, azulejos e paredes gastas pelo tempo. As portas monumentais, as mesquitas, os mosaicos esculpidos com delicadeza silenciosa… tudo carrega memória. Tudo parece sussurrar histórias de séculos passados.
Mas talvez o que mais me toque em Marrocos sejam as pessoas. Existe uma calma no cotidiano que desafia o ritmo apressado ao qual nos acostumamos nas cidades ocidentais. As crianças ainda brincam nas ruas com uma alegria simples. Homens e mulheres caminham pelos mercados sem a ansiedade de chegar logo ao próximo compromisso. Há tempo para conversar, observar, negociar, viver.
Em muitos momentos, tive a sensação de que o relógio ali perdeu um pouco de sua autoridade. E talvez seja exatamente isso que tanto me encanta: Marrocos me lembra que a vida não precisa ser sempre corrida para ser completa.
Voltar de lá é regressar ao presente. Mas uma parte de mim sempre permanece caminhando devagar por aquelas ruas antigas, entre cores, aromas e histórias que o tempo se recusou a apagar.