Fanny Freitas é brasileira do Rio de Janeiro, mas escolheu Portugal para viver. Adora viajar e de longas caminhadas, algumas delas a fotografar aquilo que o seu olhar desperta.
Cada fotógrafo imprime sua intenção ao registrar um momento, e essa diversidade de olhares enriquece a arte da fotografia.
Nesta edição, apresento um outro olhar: o do companheiro de jornada fotográfica João Monge, que iniciou recentemente seu percurso na fotografia.
João fala que sua fotografia surgiu num momento em que era preciso criar espaço, um intervalo fora das exigências funcionais, onde a atenção pudesse respirar. Sem grandes planos, o olhar começou a deter-se no que estava mais próximo: corredores, fachadas, superfícies, linhas simples, a forma como a luz organiza o espaço do quotidiano.
As pessoas aparecem naturalmente nas suas imagens, muitas vezes em passagem. Não como retratos ou personagens, mas como formas integradas. Uma medida de escala e de tempo que ajuda a situar o espaço.
A fotografia como gesto simples: escapar para ver melhor.
I am the escaped one
I am the escaped one,
After I was born
They locked me up inside me
But I left.
My soul seeks me,
Through hills and valley,
I hope my soul
Never finds me.
Fernando Pessoa
(1888-1935)
Bio - João Monge é de Lisboa, pratica esgrima e fotografa diariamente