Pedro Cheque é crítico de cinema e jornalista em formação pela Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo.
Planos abertos de uma Guimarães amanhecendo em meio à neblina parecem enunciar a melancolia do universo solitário do protagonista, que logo nos será apresentado. Caminhando pela cidade ainda deserta, ele abre sua taverna e inicia os rituais preparatórios para receber seus poucos clientes.
O Tasqueiro é, em sua essência, uma homenagem ao pacato charme da cidade de Guimarães. Guiado pelo olhar estrangeiro do diretor finlandês Aki Kaurismäki, o curta acompanha um dia na vida de um taverneiro (ou tasqueiro, no português lusitano) de um estabelecimento simples. Não descobrimos seu nome e tampouco ouvimos sua voz; toda a sua identidade parece atrelada à sua profissão.
Em sua modesta duração de 15 minutos, o filme se apega aos pequenos detalhes dessa rotina. O volume do rádio sendo ajustado enquanto toca o fado, a dose de ginjinha extraída diretamente do barril ou mesmo um gol do Vitória de Guimarães comemorado por um vizinho. É um exercício de meditação sobre eventos banais que encontra uma poesia singular ao registrá-los.
No entanto, nem só de tédio e melancolia vive o protagonista. Este dia registrado, embora vivido em completo silêncio, não deixa de ser especial: após o término do expediente, ele anseia por encontrar uma mulher. Paga um engraxate, visita o barbeiro, veste seu melhor terno e aguarda, posturado, com um buquê nas mãos em frente ao ponto de ônibus.
Também disponível na MUBI.