FALANSTÉRIO
Uma das portas viradas para o cais de embarque, na estação de Alcântara-Terra em Lisboa, tem, por cima, uma tabuleta com a inscrição “FALANSTÉRIO”.
Conheço muitos nomes apostos sobre portas nas estações de caminho de ferro, tais como “Chefe de estação”, “Sala de Espera”, “Bilheteiras”, etc. “Falanstério”, é-me completamente desconhecido, não faço a mínima ideia do que significa. Mas nunca é tarde para aprender.
Convido o leitor a escolher das três opções abaixo aquela que lhe parece corresponder a um “falanstério”:
Certo! Trata-se efetivamente do nome de uma empresa de arquitetura cuja sede é na estação de Alcântara-Terra. Não estava à espera de ver um escritório de uma empresa numa gare ferroviária, mas a realidade é que isso é possível. Acabei por descobrir que a CP tem uma estrutura própria para gerir e rentabilizar o seu imenso património arquitetónico, através da qual se pode utilizar espaços desativados nas suas infraestruturas, tudo levando a crer que a “Falanstério” seja um desses casos. Uma iniciativa que me parece louvável, uma maneira pragmática de suster a contínua degradação e deterioração desses autênticos portais de arquitetura, cultura e história, como são grande parte das estações de comboio de Portugal.
Quanto ao “falanstério” que originou esta crónica é, como a definição indica, um modelo de comunidade utópico, idealizado pelo filósofo e economista francês Charles Fourier, no início do século XIX, materializado em alguns projetos reais que pouco duraram: para além da arquitetura própria, o modelo imbuía também uma vida em comunidade, baseada na liberdade, generosidade, fraternidade e autossuficiência, valores estes, cuja prática, como a história documenta, não são sustentáveis no tempo.
As estações não são apenas lugares onde se entra ou sai dos comboios. São, também, lugares de espera, espaços de tempo bons para usufruir, parar por uns momentos, olhar à volta, descobrir novidades e enriquecer vocabulário e cultura.