Home Cardus Edição 149, setembro 2025

VIAGENS DOS SENTIDOS

Mia Jorge

HYDRA

O destino estava escolhido. Iríamos à Grécia. Porém, organizar uma viagem à Grécia é uma tarefa difícil. Há que investigar as diferentes ilhas (227 ilhas são habitadas) e escolher, de entre elas, aquela ou aquelas que se pretende conhecer. Excluí, imediatamente, visitar a capital, Atenas, porque quis ocupar os 15 dias previstos para a viagem com apenas duas ilhas. E foi nesta pesquisa prévia que descobri e decidi visitar a ilha de Hydra (Hidra), que integra o grupo das ilhas Sarónicas no mar Egeu.

Museu

Leonard Cohen conheceu esta ilha em 1960 e apaixonou-se por este local onde construiu, aliás, uma casa que actualmente ainda é propriedade do seu descendente. Foi também aqui que conheceu o amor da sua vida, Marianne Ihlen, escreveu poesia e compôs música.

Museu

A escolha recaiu, pois, sobre o Homem, mais do que sobre a ilha. A curiosidade de calcorrear os mesmos passeios que ele, de visitar o exterior da casa onde se recolhia amiúde, e, acima de tudo, descobrir os encantos que o haviam encantado naquele lugar.

A chegada à Ilha de Hydra explica, quase de imediato, a paixão pelo local. Um Porto ladeado por prédios, alguns restaurantes e cafés e um estacionamento para burros. Sim, porque em Hydra não existem carros, e o único ruído criado pelos transportes públicos é o das ferraduras dos animais a subirem e a descerem pela ilha. Por isso, visitar e passar férias em Hydra pressupõe, dependendo da casa/hotel onde a pessoa decida instalar-se, uma boa condição física ou uma despesa acrescida para a deslocação em “táxi-burro”. Mas seja qual for o modo como nos desloquemos, a Ilha de Hydra é um paraíso para os sentidos: a beleza das casas brancas construídas em socalcos, a gastronomia grega, os sons melódicos das ferraduras e a música que ao final da tarde se espalha, desde a varanda das casas, pelo ar.

Há também o mar. A cor transparente, a temperatura certa e a possibilidade de nadar até que nos apeteça espraiar numa qualquer pedra da praia. Sim, porque as “praias” de Hydra não têm areia; têm pedras que se apoderam de nós e nas quais somos convidados a serenar.

O que nos fica de Hydra é a paz, o silêncio, a harmonia e uma paixão que, temo, jamais se calará dentro de nós.

Mia Jorge.