Cardus Edição 142, fevereiro 2025
Em 12 de setembro de 2024, comemora-se o centenário de nascimento de Amilcar Cabral «Um simples africano», como ele mesmo se definiu, cumprindo seu dever no contexto de seu tempo», Amilcar Cabral ganharia reconhecimento e projeção universal não só por ter concebido e dirigido a mais bem-sucedida luta de libertação nacional das ex-colônias portuguesas na África, que levou à fundação de dois Estados independentes, Guiné-Bissau e Cabo Verde, como pelo valioso legado teórico em que se baseou a condução dessa luta. [...]
In pagela dos CTT
Esta emissão conjunta de selos dos Correios de Cabo Verde e Portugal foi emitida nos finais do ano passado integrada nas comemorações do centenário do nascimento de Amílcar Cabral, uma figura histórica bem conhecida em Portugal e ex-colónias, bem como no resto do mundo.
De Cabral sabe-se, ou pode-se saber, quase tudo. Uma pequena pesquisa na internet e lá está a vida, a carreira profissional, o pensamento político, a ação, a guerra, e o fim trágico de contornos ainda hoje por esclarecer. As comemorações avivaram muitas dessas memórias, por elas passaram muitas conferências e também bons momentos musicais.
Não cabe muito nesta pequena página, mas não é por isso que o jornal não vai deixar de homenagear Cabral. Com duas contribuições:
- um excerto dum discurso de Amílcar Cabral onde está bem patente o espírito com que Cabral partiu para a guerra da independência:
" … Como sabe, nós temos uma longa caminhada juntamente com o povo português. Não foi decidido por nós, não foi decidido pelo povo português, foi decidido pelas circunstâncias históricas do tempo da Europa das Descobertas e pela classe de "antanho", como se diz em português antigo; mas é verdade, é isso! Há essa realidade concreta! Eu estou aqui falando português, como qualquer outro português, e infelizmente melhor do que centenas de milhares de portugueses que o Estado português tem deixado na ignorância e na miséria. Nós marchamos juntos e, além disso, no nosso povo, seja em Cabo Verde seja na Guiné, existe toda uma ligação de sangue, não só de história mas também de sangue, e fundamentalmente de cultura, como o povo de Portugal. Essa nossa cultura também está influenciada pela cultura portuguesa e nós estamos prontos a aceitar todo o especto positivo da cultura dos outros…”;
- e um momento musical, o hino da Guiné-Bissau, que Cabral redigiu e um compositor chinês musicou. Um hino que não faz a apologia da Guerra, mas sim, da paz e do progresso.