A Ana Sofia nasceu em Lourenço Marques, no ano de 1972, e veio para Portugal com apenas três anos.
Tendo iniciado a sua vida profissional na área do fitness há cerca de trinta anos, formou-se como instrutora pelo CEF - Centro de Estudos de fitness. A formação de Pilates, pelo Pilates Institute veio enriquecer o seu CV e tornou-se uma grande paixão, mas o yoga, que surgiu na sua vida em 2005, suplantou todas as antigas paixões e tornou-se não só o seu sustento e atividade profissional, como a sua filosofia de vida.
Formou-se em Swásthya yoga, pela uni-Yoga e em Haṭha yoga pelo yoga Ashram, instituição credenciada pelo yoga Alliance de que é membro.
Atualmente encontra-se a terminar nova formação, ministrada por Pedro Kupfer, professor reconhecido mundialmente pelo seu trabalho e contributo para a valorização desta prática.
O profissionalismo, o carinho, o respeito e o entusiasmo da Sofia, fazem das suas aulas momentos contagiantes e motivadores para a prática do yoga, com todos os benefícios que lhe estão inerentes.
Obrigada, Sofia, por me ajudar a fazer parte da aventura deste caminho.
Aline Cardeira
Sofia, toda a sua postura, calma e tranquila, irradia Yoga. Pode contar-nos como é que o Yoga entrou na sua vida?
O yoga surgiu na minha vida há cerca de vinte anos. Nessa época já era mãe dos meus dois filhos e sempre havia trabalhado como professora na área do fitness. Confesso que, ao iniciar as práticas de yoga e mais tarde a minha primeira formação, tinha apenas como objetivo enriquecer o meu curriculum. Mas o yoga transformou a minha forma de olhar a vida, modificou as minhas escolhas, os meus hábitos e rotinas, a minha alimentação e a minha mente e rapidamente percebi que nada me inspirava como o yoga e que era no yoga que eu pretendia investir toda a minha energia.
Dedica-se a tempo inteiro a esta modalidade e, recentemente, abriu a escola Yoga Sãdhana, em Barcarena. Foi um sonho realizado?
Sim, de momento tenho o privilégio de poder dedicar a minha vida ao yoga. Nem sempre foi assim!
A vida de um professor de fitness, e também para a maioria dos professores de yoga, é um pouco itinerante e infelizmente instável. Corremos de ginásio em ginásio, de escola em escola para ganhar o nosso sustento e as condições não são as melhores.
Felizmente tive a possibilidade de dar aulas num Ashram logo no inicio da minha vida como instrutora de yoga. Essa experiência foi muito enriquecedora para mim. Já o ambiente em ginásios não é o melhor para a prática de yoga. As aulas são breves, o que não permite vivenciar todas as técnicas com calma, os ruídos são constantes e a motivação dos alunos não é a mesma.
Por todas estas razões, logo no inicio da minha carreira no yoga eu já sonhava ter uma escola e poder ensinar num ambiente propicio a esta prática tão nobre. Vinte anos depois foi possível.
Parece muito tempo para se concretizar um sonho, mas na realidade foi na altura certa. Ao longo destes vinte anos, dediquei-me muito à família, ao estudo e fui amadurecendo. Atualmente, os meus filhos já são adultos, a estabilidade financeira é maior e o sonho concretizou-se.
A vida mudou e pode voltar a mudar. Só temos de aceitar o seu ritmo e que há um tempo para tudo!
O Yoga é uma prática que envolve o bem-estar a todos os níveis: mental, físico, emocional e espiritual. O que diria às pessoas como forma de incentivo a esta prática?
O yoga originalmente nasceu com o propósito de ser um caminho prático para o autoconhecimento, um caminho ou um veiculo que transporta o homem pela maravilhosa jornada da compreensão de si mesmo.
É uma prática milenar, originária da Índia que integra o bem estar físico, mental, emocional, aumenta a capacidade e consciência respiratória e a vitalidade, o foco e a concentração, mas sobretudo nos propõe uma vida consciente e plena de valores, os yamas e niyamas, ajuda a eliminar crenças e condicionamentos é um caminho para o autoconhecimento.
Um aluno iniciante começa desde logo a sentir os primeiros benefícios da prática, mas é necessário comprometimento, dedicação para crescer na senda do yoga. O yoga é como a vida e é para a vida. É um caminho lento, gradual, uma linda jornada pessoal ao encontro de ti mesmo!
Sabemos que há vários tipos de Yoga. Que critérios envolveram a sua escolha?
Iniciei a minha prática no Swásthya Yoga, e depois acabei por estudar e praticar Haṭha yoga. A minha prática atual e as minhas aulas baseiam-se no método do Haṭha yoga, mas claro que são inspiradas nos vários professores e métodos pelos quais passei e até na minha experiência como instrutora de fitness.
Existem vários tipos de yoga e é natural que alguém sem conhecimento algum se sinta baralhado na altura de escolher o estilo mais indicado para si.
De uma forma muito resumida e simplista, o Aṣṭāṅga Vinyāsa é talvez o mais exigente em termos físicos, o Iyengar Yoga é uma prática que se centra muito no alinhamento postural, o hot yoga é praticado numa sala com a temperatura entre os 36 e os 39 graus, com o objetivo de eliminar toxinas e queimar calorias, o Haṭha Yoga mais tradicional, tem um ritmo físico mais tranquilo, mas um intenso trabalho respiratório, e comporta também a prática de relaxamento e meditação, e por ai fora.
Na minha opinião, mais do que a preocupação relacionada com o tipo de yoga a escolher, deve ser a preocupação em arranjar um professor credenciado, com o qual o aluno se identifica e em quem confia. Deve ser escolhida também uma prática em função das necessidades e possibilidades de cada aluno. Esse é o primeiro passo para o sucesso, pois é isso que o vai fidelizar à prática numa fase inicial.
Os meus atuais professores são professores com uma vasta experiência, são pessoas sérias, com valores, pessoas em quem confio, eternos buscadores e eternos estudiosos. São professores que respeitam a minha individualidade e liberdade enquanto ser humano, que me inspiram e me instigam a continuar o meu caminho, a ser curiosa, questionadora. Estes são os meus critérios!