Pedro Cheque é crítico de cinema e jornalista em formação pela Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo.
Yannick é um filme sobre a experiência de fazer filmes. O diretor Quentin Dupieux, através de uma abordagem metalinguística, cria uma relação entre obra, espectador, crítico de cinema e equipe de produção. Com qual intuito? Falar mal de todos eles. Sem exceção.
A trama gira em torno de Yannick (Raphaël Quenard), um homem cínico, autocentrado, carente e altamente imprevisível. Insatisfeito com uma peça de teatro, ele resolve sacar uma arma, brigar com os atores e manter todos (inclusive o público) como seus reféns no local, afinal de contas, aquela obra lhe desagrada.
Da mesma forma que o público é passivo em relação à peça, ele é passivo em relação ao cárcere privado. É um organismo inativo, que só espera a ação no palco ser finalizada. Enquanto isso, um dos atores está mais preocupado em deixar de ser o centro das atenções do que com o perigo iminente.
Ou seja, Dupieux prepara um comentário social criativo e bem elaborado sobre a relação geral com a arte. É a vez do cineasta de criticar o crítico. E com a criatividade de quem já dirigiu um filme sobre um pneu assassino, expor a figura do crítico ao ridículo não foi tarefa difícil.
O exagero dos elementos é a grande virtude do filme, de modo que fica muito fácil se identificar com cada um dos personagens em determinados momentos. Quem nunca se irritou tanto com uma inconveniência banal que ficou com vontade de tomar providências desproporcionais? Quem nunca aplaudiu só porque foi mandado?Quem nunca ficou incomodado por deixar de ser o centro das atenções? Quentin Dupieux fez esse filme para você se identificar. E também para dizer que você é um completo idiota por isso.