Cardus Edição 142, fevereiro 2025

CINEMA

Edmundo

Um espectador como outro qualquer


A CASA DO NORTE

Inês Lima


A “Casa do Norte” é um pequeno filme, é uma curta como se diz. É uma sucessão de imagens ou movimentos desfocados e não tem atores. Ou melhor, tem, sob a forma de texto que aparece no lugar onde normalmente estão as legendas. Lê-se “as legendas” e é como estar a ver os atores. O filme não é mudo, como pode parecer no início, de tempos a tempos o silêncio é entrecortado por sons rápidos, algumas vezes por um rufar de tambores. No fim ouve-se uma música popular. A imagem é como a dos filmes antigos deteriorados pelo tempo. O filme também é sobre o passado. Atores em formato real só mesmo os periquitos que, dentro ou fora da gaiola, é deles que deve vir a ajuda para se interpretar o filme. É um filme para ver e pensar, vi-o mais do que uma vez, interpretei-o duma forma leve, é de certeza mais profundo.

É um filme familiar. Conheço a história, a casa e, talvez por isso, o filme veio parar a este jornal.

A curta foi para mim uma descoberta, afinal também há cinema para além das salas dos centros comerciais e do canal Hollywood. Um novo mundo a explorar e, se calhar, uma nova rúbrica do jornal.

 

Nota:

O filme esteve disponível para visualização na Novocine uma sala de cinema online, onde é possível ver, gratuitamente, um novo filme a cada vinte dias, complementado com informação de referência e um pequeno texto de apresentação.