Cardus Edição 144, abril 2025
A Protecção Civil registou esta sexta-feira, entre as 00h e as 12h, um total de 185 ocorrências associadas à passagem da depressão Martinho em Portugal continental, maioritariamente queda de árvores, que ocorreram sobretudo na Grande Lisboa e Península de Setúbal.
Vou ao google e pesquiso por “caminhar à chuva”. A primeira página que me é referenciada diz-me das vantagens dessa prática. Aqui vão elas:
Não imaginava que havia tantas compensações para deixar o conforto do lar e ir realizar a caminhada habitual num dia de chuva ou mesmo de temporal. E não é preciso muito equipamento para tal. Basta um impermeável com capuz e um par de botas à prova de água. E por baixo do impermeável as roupas apropriadas à estação.
No rescaldo da depressão Martinho lá me calhou ter de ir caminhar à chuva. Que até não estava prevista, uma vez que, na altura da partida, o sol brilhava a céu aberto. Apenas um pequeno vento frio indicava que o inverno ainda não se tinha despedido. Deve ter sido este mesmo vento frio que, aumentando de intensidade, trouxe a nuvem escura que desabou, sem aviso prévio, mais ou menos a meio da caminhada. E a parte interessante é que se caminhava debaixo da chuva pesada com o sol pela frente. Assim mesmo. Um simultâneo de Sol, chuva e vento frio. Apenas ficaram a faltar os relâmpagos e os trovões. Árvores caídas, postes no chão e equipas a repararem os estragos do “Martinho” completaram a paisagem e condimentaram a caminhada. Tudo mais ou menos em hora e meia, o tempo que dura a caminhada habitual. No fim, apenas os pés molhados destoavam do conforto físico geral.
Beethoven também caminhava à chuva, eventualmente algumas das suas sinfonias nasceram ali. Não caminho só quando chove, caminho regularmente “faça sol ou faça chuva”. É o meu momento introspetivo, o momento em que questiono a vida, nas três vertentes temporais: passado, presente e futuro. E no fim de cada caminhada, para além do conforto físico, sinto-me mais preparado para o que quer que venha a seguir.